Autismo, na visão de um pai

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“O mundo necessita de todos os tipos de mentes” – Temple Grandin.

Nesta oportunidade abordarei a história de vida de Temple Grandin. Diagnosticada com autismo aos 4 anos de idade, conseguiu superar suas limitações e nos esclarece a forma diferenciada de como sua mente sempre funcionou.

A mãe de Temple também escutou dos médicos que sua filha não tinha tratamento e que provavelmente nunca iria falar, sendo-lhe sugerido internação em um manicômio.

maquina do abraço

Na época, imperava a Teoria das Mães Geladeiras que, segundo o psicólogo Bruno Bettelhein o autismo era causado pela ausência de amor da mãe e seu tratamento consistia em encorajar as crianças a baterem em uma escultura feita de pedra, com formato de uma mulher, utilizando um pedaço de pau, trancadas em um quarto escuro com intuito de liberarem a raiva que sentiam de suas mães.

Como se já não bastasse toda a carga emocional recebida ao se ter um filho especial ainda a culpavam pelo autismo de sua própria filha.

Um verdadeiro absurdo que não convenceu a mãe de Temple.

Ela ignorou o diagnóstico e iniciou uma batalha com a filha utilizando-se de vários métodos e estratégias para que sua menina falasse e tivesse uma vida saudável como outras crianças.

Os anos escolares foram muito difíceis mas a mãe era persistente e conseguiu chegar ao ensino médio.

Durante o ensino médio, que foi em regime de internato, determinado professor descobriu que a mente de Temple se organizava por meio de imagens e não por palavras e, a partir daí, iniciou-a a desenvolver várias habilidades.

Observo que em todos os casos conhecidos de recuperação a atitude e fé dos pais fizeram toda a diferença.

Temple Grandin é amplamente reconhecida como o mais famosa pessoa autista do mundo. Ela escreveu uma série de livros sobre autismo e regularmente viaja ao redor do mundo para dar palestras em conferências, e teve sua vida relatada em um filme que leva como título seu proprio nome.

Temple em uma de suas palestras aborda os diferentes modos de pensar, e que no seu caso fogem da linguagem verbal, ela pensa em imagens concretas.

Segundo Temple, quando era criança não sabia que seu pensamento era diferente, acreditava que todos pensassem como ela, ou seja, através de imagens.

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Então o que é pensar em imagens?

É literalmente um filme em sua cabeça. Temple afirma que sua mente trabalha como o Google para imagens.

O pensador visual é apenas um tipo de mente e as mentes dos autistas tendem a ser especialistas, ou seja, boas para umas coisas e ruins para outras

Tipos de mentes segundo Temple Grandin:

1- Pensadores Visuais – Fato – Realísticos;

2- Pensadores em Padrões – Música e mentes matemáticas;

3- Pensadores Verbais – Reconhecem cada fato sobre tudo.

Então, se os autistas ou pelo menos parte deles, são pensadores visuais, eles acabam tirando milhares de fotos com suas mentes em pequenos espaços de tempo guardando-as e conectando-as como forma contínua de pensamento.

Partindo desse princípio, imagine quantas “fotos” um pensador visual tira em uma simples ida ao mercado, ou em uma entradinha em uma loja de brinquedos?

Entendo que parte das atitudes agitadas do meu filho em ambientes propícios ao excesso de estímulos visuais seriam, de certa forma, uma sobrecarga que a criança não consegue lidar saudavelmente, criando meios para aliviar essa excitação.

Temple após o ensino médio foi passar férias na fazenda de sua tia e durante o tempo que lá esteve observou o comportamento do gado e constatou que quando eram presos em uma máquina pressionadora para receber vacina o gado ficava calmo e nitidamente aliviado.

Ocorre que, em determinado dia, ela ficou muito agitada e correu para dentro dessa máquina e pediu para que sua tia a pressionasse como faziam com o gado e obteve resultado surpreendente.

Temple não suportava o contato com outras pessoas, sua mãe até então nunca tinha conseguido lhe dar um abraço, evitava ser tocada para não ter que sentir uma sensação opressiva, e neste momento criou a máquina do abraço.

Em cada história que relato vejo um pouco do meu filho, não estou afirmando que ele pensa em imagens ou que precisa da máquina do abraço, pois ele tem total aptidão ao contato humano.

Ao estudar todas essas histórias tinha como objetivo entender melhor o comportamento dele que até então era alienígena para mim.

Tirando um pouquinho de cada exemplo venho colecionando estratégias e características comportamentais que vêm facilitando e otimizando a minha interação com o meu filho Luhan.

Em alguns momentos que ele estava agitado, sobrecarregado e até um pouco agressivo consigo mesmo, utilizei do princípio da “máquina do abraço” e, por vezes, o abraçava forte falando palavras amenas e o beijando e percebi que em algumas oportunidades ele conseguia se acalmar um pouco.

Surpreendentemente ele começou a ficar agitado se batendo e se mordendo e vinha e se jogava em cima de mim aparentemente pedindo um abraço, o que comecei a fazer respondendo seus estímulos e por muitas vezes conseguindo uma melhora quase que instantânea em seu comportamento.

Não funciona sempre nem resolve seus momentos quando está agitado mas identifiquei que esse abraço forte é mais um meio de lidar com seus momentos difíceis.

Só tenho a agradecer a Temple Grandin por seus esclarecimentos e a sua mãe por mais esse exemplo de comprometimento e dedicação que propiciaram que sua filha vivesse de forma sadia em sociedade.

Obrigado pela oportunidade e até a próxima.

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